terça-feira, 12 de abril de 2011

Um lugar para morrer

Padre Eduardo sentou-se ao seu lado. Estava cansado. Havia organizado e posto tudo em funcionamento até o final.
Ficou com Padre Nunes até o fim.Ouvira-o em confissão,deu-lhe a unção final e cerrou-lhe os olhs tão pronto este morreu.
Por fim couidou do resto. Celebrou a missa de corpo presente acompanhado dos demais sacerdotes do seminário. Deu a benção sobre o caixão, e seguiu até o sepultamento.
Merecia portanto descansar, disse-lhe o rapaz.
Padtre Eduardo acendendo um cigarro retrucou: - Que nada, servos inuteis é o que somos; e continuou:-  O que você queria perguntar?
Mateus se surpreendeu. Como ele sabia que havia uma pergunta de sua parte?
Antes mesmo deste pensamento se completar, Padre Eduardo disse: Teus olhos estão mostrando que aí tem uma pergunta;diga-me portanto o que quer saber.
Teu gesto ao dar a benção sobre o caixão de Padre Nunes,por que os dedos estendidos daquele modo?
Foi a vez de Padre Eduardo se surpreender.
Deu uma última tragada no cigarro apagando-o sob os pés. Soltou a fumaça e esperou um pouco para responder.
Neste intervalo lembrou-se de Nunes e do que este lhe contara.
Antes de confessar-se pediu a Padre Eduardo que acompanhasse Mateus.
Padre Nunes era professor na Filosofia.Ficava encantado quando as aulas despertavam questões entre a classe, gerando discussões entre os alunos.
Félix era um dos alunos que se sobressaia como filósofo em potencial, apoiando-se muitas vezes em São Tomás de Aquino, ainda que Nunes seguisse o pensamento de Javier Zubiri,filósofo espanhol.
Padre Nunes gostava pois sabia que o tomismo ainda era uma boa base para a filosofia,pelo menos para a igreja dizia ;de si para si.
Naquele dia porém o destaque ficou para outro aluno.Mateus, um aluno sempre silencioso porém muito atento, manifestou-se.
Sua colocação causou indignação na classe.
Ao menos dois alunos chamaran-no de irreverente, quando na verdade queriam chamá lo de herege.
Olha a fogueira, gritou um terceiro lá do fundo.
O tema que estavam tratando era a questãqo da vida e da morte.
O que era a morte afinal? Padre Nunes lançara esta pergunta na classe.
Depois de varia colocações e teses, Mateus pediu para falar.
- E se a morte não for o que pensamos?
Diante disto pesou um silencio na classe.Alguém disse:- Estamos falando da morte cristã.
Foi a vez de Padre Nunes intervir: Não, não. Estamos falando da morte.Morte cristã é na outra classe. Na turma da teologia.
Novamente a classe se manifestou.
Silencio, pediu padre Nunes.Mateus, fale-nos sobre sua visão da morte, ou o que voce quer dizer com esta sua colocação.
Padre Eduardo lembrava-se deste episódio enquanto apagava o cigarro.
Realmente este moço é especial, pensou, além do que tem olhos afiados.
Tocando-lhe o ombro disse-lhe:
- Amanhã conversaremos sobre isto.Hoje estou muito cansado.E despediu-se com uma boa noite.
Mateus ficou por ali ainda um pouco olhando o céu que estava estrelado pensando consigo, onde estaria naquele momento Padre Nunes. Sabia que este pensamento contradizia sua formação cristã, pois deveria pensar como os demais que naquele momento padre Nunes estava junto a Deus. No entanto não conseguia pensar assim.
Sabia que Padre Nunes era uma boa pessoa, talvez até santo como muitos chegavam a dizer, pela caridade e amor que ele tinha com todos. Isto não tinha dúvidas. Mas onde estaria ele agora? O que era a morte afinal?
Sentiu-se cansado também e retirou-se para seu quarto.
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Lá fora o céu estrelado deu lugar a grossas nuvens que vindo do leste,  desabaram em forte chuva.Mateus puxou as cobertas e adormeceu.
Olhou á sua volta. Estava em um grande salão. Assustou-se. Era um conclave, ou algo parecido, pois á frente de tantos cardeais, um se destacava. Carregava um báculo, e tinha a outra mão sobre o peito com os dedos dobrados do mesmo modo que vira Padre Eduardo dar a benção. Voltou o olhar novamente para aquela figura vestida de branco, e reconheceu nele Padre Nunes. Olhou os demais e estes tinham como que um mesmo rosto. Virou-se em direção á porta por onde entrara, dando um passo para sair, quando tropeçou e caiu.
Acordou assustado, levantando-se do chão. Foi ao banheiro, tomou um pouco de água, e voltou a dormir.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

EU UM MAGO

(Aqui segue outro trecho do livro. Estou publicando aqui apenas alguns trechos.)
F- Todos podem ser magos ou magas?
O- Sim. Para isto fomos feitos.Se estas leis existem por que elas seriam apenas para alguns?
F-Então por que não temos por aí magos aos montes?
O- E quem disse que não?
F-E onde eles estão?
O- Numa multidão você poderia me dizer quem seria engenheiro,advogado,farmaceutico,etc?
F- Se não estiverem identificados seria impossível.
O-Assim é com os magos. Não é por que não os vemos que eles não existem.Uma das primeiras lições da magia é manter o silencio e guardar segredo.Quando se aprende isto começa-se a caminhar na senda da magia.
F- E por que esta necessidade de não aparecer?
O-Eu respondo com outra pergunta: E por que precisa aparecer?
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(OUTRO TRECHO)
F- Quanto tempo leva para alguém chegar a ser mago?
O-Tempo nenhum. Lanço aqui outra pergunta: Quanto tempo leva para uma laranjeira passar a ser laranjeira? Tempo nenhum. Ela sempre é laranjeira.Pode sim precisar desenvolver-se para ser plenamente laranjeira, mas ela sempre foi e será laranjeira.Se virá a desenvolver-se virar uma arvore crescer e dar belos e bons frutos é outra estória.
F- E dentro deste contexto, como você responde minha pergunta?
O- Não há um tempo. Diferente da laranjeira onde se a semente não desenvolver ela morre, mas ainda assim será uma laranjeira, laranjeira morta mas laranjeira, o ser que aqui chamamos humano, este não morre. Ele vai caminhando sempre em desenvolvimento de tal modo que este desenvolvimento chega num ponto em que passa a se chamar magia.( entenda isto como uma explicação a grosso modo; a coisa é um pouco mais complexa).
Uma criança deve admirar-se ao ver pela primeira vez,o pai  iluminar toda uma sala num simples apertar de botão.
Um dia ela fará o mesmo, e entenderá o que está fazendo.Pode levar algum choque no percurso do aprendizado mas virá a fazer o mesmo.
F- Para que serve a magia?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

EU UM MAGO (pagina dois)

Este livro é colocado em forma de entrevista onde Fernando (F) entrevista  Ogham Oleahcim (O).
Tive a tentação de escrever este livro com a narrativa misteriosa de um certo personagem que encontrei  na Basilica de São Pedro em Roma quando lá estive em 1988, com o qual conversei e que me colocou em contato com outra pessoa em Dublin na Irlanda, isto num momento em que estava ainda realizando meus estudos eclesiásticos, quando então trazia comigo questionamentos profundos sobre a vida e sua realidade,fruto dos estudos filosóficos que estava finalizando por aquele ano. Optei porém em transformar toda uma estória, em uma sequencia de perguntas e respostas onde eu pudesse explanar este assunto, e nesta entrevista discorrer sobre o aprendizado que adquiri ao longo de uma jornada.
Futuramente quem sabe saia um livro ficcional narrando como estes conhecimentos me chegaram.
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F- Por que somente agora voce decidiu dar esta entrevista?
O- Tudo tem um momento próprio. Um dos principios da magia está em compreender estes momentos e respeitá-los.
F- Se esta entrevista se transformar em livro, voce acredita que ele terá sucesso de venda,já que chegou o
" momento certo"?
O-Se este livro vier a existir e tiver sucesso, é por que para isto ele veio, caso contrario não. Uma coisa é certa, tanto esta entrevista, como o livro se ela nele se transformar,tudo fará o caminho que tem de fazer.
F. Vamos então á primeira pergunta: Existe magia?
O- claro,com toda a certeza.
F- E o que é magia?
O- È um conjunto de leis ( tão reais quanto as leis físicas),que rege e ordena tudo e todos.
F- E todos tem alcance ou acesso a estas leis?
O- Nem sempre.Estas leis estão sempre atuando sobre todos, mas nem todos tem acesso a elas.Note bem que falei "todos",isto se refere ao ser humano,pois as demais coisas sofrem sua ação naturalmente sem no entanto precisar ter acesso a elas.
F-Onde se aprende magia?
O- Eu refaço esta pergunta. Onde se apreende magia? Escolas existem e muitas, mas não é a escola que faz o aluno. Portanto é mais uma questão de apreensão do que de aprendizado.Aquele que apreende,este até numa edição de jornal matutino,tem ali o seu aprendizado.
F- Dizem que no Himalaia existe uma escola de magia, isto é fato?
O- Eu diria que sim. Shangrilá não é ficção. Shangrilá é real.
F- É realidade ou lenda a existencia de escolas em planos paralelos?
O- É realidade.
F- E voce acha que as pessoas vão acreditar nisto.
O- Eu estou aqui para responder a uma entrevista, e falar sobre magia. Acreditar ou não é questão de cada pessoa.
F- Se estas escolas existem, como se faz para entrar?
O- Prestando vestibular,Ah Ah Ah...È apenas uma brincadeira. Não se faz.
F- Como assim?
O-Simples. Não é você que escolhe a escola, é a escola que escolhe voce.
F- Explique isto.

EU UM MAGO

Tudo o que aqui está escrito é compilação de conhecimentos milenares tranformados neste livro em forma de entrevista.
Muitos documentos e escritos tratam deste assunto e o explanam o mais amplamente possível, isto é até onde é possivel esta explanação.
Muitas respostas aqui encontradas são fundamentadas em experiencias pessoais.
A logica cartesiana, muitas vezes não é suficiente para a compreensão de determinadas colocações devido a própria natureza do assunto.
O autor nada mais espera deste livro senão aquilo que ele possa despertar em cada leitor, pois ele acredita na premissa que reza que quando o discipulo está pronto o mestre aparece.
Deste modo este livro chegará ás mãos de quem tenha de chegar, e cumprirá o papel que lhe cabe cumprir.
 Desejos de luz e uma boa leitura a todos.
Fraternalmente
Fernando Doria